Segunda-feira, 17.06.13

 



Voltei costas ao mar e olhei para o interior. A ilha era igualzi­nha às fotografias que tinha visto na Internet, com a diferença de que não havia hotéis de luxo nem casas de férias, pelo menos à primeira vista. A areia muito branca parecia açúcar debaixo dos meus pés descalços; não fazia ideia do que tinha acontecido aos sapatos. O sol, já alto no céu, queimava com um calor intenso.

– Tenho de me sentar. – O meu estômago deu uma volta e jul­guei que ia vomitar. O T. J. sentou-se a meu lado. – Não te preo­cupes – disse eu, quando a náusea finalmente passou. – Já devem saber que houve um acidente e vão mandar um avião para nos procurar.

– Faz alguma ideia de onde estamos? – perguntou ele.

– Não, de todo – respondi.


Podem ler o primeiro capítulo de Sozinhos na Ilha, de Tracey Garvis Graves, aqui.



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Segunda-feira, 17.09.12

 



Sienna

«Talvez possa dizer-lhe que o amo mais do que qualquer outra coisa no mundo e que se me der a oportunidade, posso amá-lo melhor do que qualquer outra pessoa. Sei que lhe daria o amor que ele merece. Sem dúvida nenhuma. Preparar-lhe-ia torradas pela manhã, far-lhe-ia todos os anos meias para o Pai Natal e tomaria conta dele quando adoecesse. Amá-lo seria a minha vida.»

 

Nick

«A Sienna era mágica. Era capaz de retirar o melhor de cada situação e assim ultrapassar qualquer problema. A força dela assustava-me, mas ao mesmo tempo era tremendamente inspiradora para a alma. Apetecia-me fugir dali com ela para qualquer sítio onde não houvesse pessoas, nem carros, nem edifícios, e dizer-lhe o quanto a amava e o quanto a achava fantástica.»


Podem ler o primeiro capítulo de Duas Vidas, de Jessica Thompson, aqui.



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Terça-feira, 17.07.12

 

 

Justine ficou sem palavras. Continuou, imóvel, a olhar para as palavras que acabara de ler, sentindo as placas tectónicas da Terra a separar-se sob os seus pés. O choque foi tremendo. Reparou que a mão que segurava a carta estava trémula, e depois apercebeu-se de que toda ela tremia. Mal podia acreditar no que acabava de ler. Respirou fundo, pousou a carta em cima da secretária e tentou controlar a impressão de que estava a balouçar. Ao fim de uns minutos conseguiu acalmar-se e inclinou-se para voltar a ler a carta, desejando absorver cada palavra… a revelação era tão extraordinária que nem respirar conseguia.

 

Podem ler o primeiro capítulo de Uma Carta Inesperada, de Barbara Taylor Bradford, aqui.



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Terça-feira, 19.06.12

 

 

Estava de pé em frente à janela, a almoçar e a olhar para o mar, como tantas vezes fazia, sem pensar em nada em particular, quando vi o cão pela  primeira vez. Mesmo antes de ter visto o homem para o qual o cão corria, o homem que tinha as mãos enfiadas nos bolsos, de ombros tensos para se proteger do vento, já eu tinha pousado o prato e procurava a escova dos dentes. E o casaco. Não sabia exatamente porquê. Poderia, se quisesse, ter algumas explicações. Ele tinha sido simpático comigo naquele primeiro dia e eu estava ansiosa por sair e conversar com alguém. Foi isso que disse a mim própria enquanto percorria o passadiço estreito de madeira e galgava as dunas ondulantes. Mas quando cheguei à praia, e quando ele virou a cabeça perante a minha aproximação e fez um sorriso de boas-vindas, percebi que nenhuma dessas explicações era o verdadeiro motivo.

 

Podem ler o primeiro capítulo de O Segredo de Sophia, de Susanna Kearsley, aqui.



publicado por Rita Mello às 11:40 | link do entrada | comentar | favorito
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Terça-feira, 15.05.12

 

 

O vento soprava agora nos seus ouvidos e começara a dar voz à sua raiva. Grania estacou a dez metros da menina, que ainda estava imóvel. Ela viu como os pequenos dedos dos pés arroxeados dela a fixavam estoicamente à rocha, à medida que que o vento crescente vergastava e agitava o seu corpo franzino como um salgueiro jovem. Ela aproximou-se ainda mais da menina, parando imediatamente atrás dela, sem saber o que fazer a seguir. O instinto de Grania dizia-lhe para correr em frente e agarrá-la, mas se a menina se assustasse e se voltasse, um passo em falso podia resultar numa tragédia inimaginável, levando a criança a uma morte certa numa queda de trinta metros até às rochas cobertas de espuma lá em baixo.

Grania estacou, invadida pelo pânico à medida que tentava pensar desesperadamente na melhor forma de a afastar do perigo. Mas antes que conseguisse tomar uma decisão, a menina deu lentamente meia-volta e olhou-a fixamente com olhos que não viam.

 

Podem ler o primeiro capítulo de A Menina na Falésia, de Lucinda Riley, aqui.



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Sexta-feira, 10.06.11

1.ª Parte:

 

2.ª Parte:



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Segunda-feira, 07.06.10

 

PRÓLOGO


Um velho cão ladrava no jardim da Vila Rosa, correndo por entre um emaranhado de alcachofras, perseguindo um pássaro como se ainda fosse um cachorrinho. Atravessou o terraço inundado pelas buganvílias, correu pelo mosqueado limoal e através dos relvados descolorados pelo sol. Quando por fim o animal se calou, os únicos sons audíveis eram o assobiar da brisa por entre as romãzeiras e o bater do mar nas rochas mais abaixo.

A casa estava vazia e aferrolhada contra intrusos, com os portões altos solidamente fechados. Só o cãozinho e os lagartos de dorso verde sabiam como entrar pelo buraco da parede quase tapado pelo matagal.

Parecia um lugar desolado, esquecido. Há muito que os canteiros se tinham rendido e as glicínias cresciam selvagens. Mas alguém estivera ali. Os frutos tinham sido colhidos das árvores no final do Verão e os caminhos varridos das folhas do Outono.

Os elementos não poupavam a casa. O vento salgado e o sol abrasador tinham empolado as portadas envernizadas e desbotado o tom rosado das paredes. Se o telhado não tivesse sido amparado com pedras, as telhas poderiam ter-se levantado nas tempestades mais rigorosas e as pesadas chuvas de Inverno ter-se-iam infiltrado. Dentro da casa o pó jazia intacto, chávenas de café repousavam viradas para baixo no escorredor em que alguém as deixara, uma cama permanecia por fazer. Quadros tinham sido retirados das paredes deixando apenas as suas sombras. Teias de aranha decoravam o tecto.

Podia ter sido há meses que alguém ali morara.

Ou anos.

 

Podem continuar a ler os primeiros capítulos de  Os Ingredientes do Amor, de  Nicky Pellegrino, aqui.



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A IGNOMINIOSA PARTIDA DE CHELLAM-A-CRIADA, FILHA-DE-MUNIANDY


6 de Setembro de 1980


A esticar-se, delicada como a cabeça de uma ave do fino pescoço do istmo de Kra, há uma terra que representa metade do país chamado Malásia. Onde mergulha o bico no mar da China Meridional, Singapura tremeluz como uma bolha que lhe tivesse escapado da garganta. Esta cabeça de ave é uma terra sem Primavera, sem Verão, sem Outono e sem Inverno. Um dia pode ser um nico mais chuvoso ou um poucochinho mais seco do que o anterior, mas quase todos são quentes, húmidos, claros, ardentes de preguiçosa vida tropical, instigadores de infindáveis pausas para o chá e de loucas, atropeladas e buzinadas corridas através da cidade para chegar a casa antes da chuvada da tarde. São estas as chuvas mais familiares, as violentas e prateadas cordas de água que inundam os campos de jogos e obrigam os empregados de escritório a patinhar até às paragens de autocarro com sapatos que se enchem como baldes. Turbulentas e dramáticas, as chuvas vesperais provocam engarrafamentos de trânsito simultaneamente terríveis – sufocados pelos fumos negros dos camiões e ensurdecidos pelo guinchar dos travões dos autocarros escolares – e belos, iluminados pelas coleantes serpentinas de luz amarelo-aguado dos faróis que se estendem a perder de vista, com o clarão azulado dos candeeiros a reflectir-se nas poças que alastram, com a fluorescente melancolia dos quiosques desertos ao longo dos passeios. Todos os dias parecem começar com uma labareda e acabar com um dilúvio, de tal modo que o passado e o presente e o futuro correm juntos num infinito e fumegante rio.

Na verdade, porém, há dias que não esbraseiam e chuvadas menos ferozes. Sob uma certa espécie de suave chuvisco matinal, a própria terra respira lenta e profundamente. A névoa ergue-se das escuras copas das árvores e das colinas calcárias que rodeiam Ipoh. Névoa cinzenta, refulgentes colinas verdes: em manhãs assim, é fácil perceber quão vividamente partes desta terra devem ter recordado aos antigos governantes britânicos o seu distante país.

A norte de Ipoh, agarrada à orla exterior dos pequenos arrabaldes da cidade, fica Kingfisher Lane, uma longa e estreita estrada de terra que vai da rua «principal» (uma loja de esquina, uma paragem de autocarro, um ou outro camião) até às colinas (antigas, inescrutáveis, crivadas de grutas e povoadas por clandestinos cavernícolas). Aqui, o lânguido bulício da cidade parece distante até nas tardes mais quentes; nas manhãs chuviscosas como esta, é absurdo, improvável. O fumo das fábricas de cimento e os cheiros acres da carrinha do vendedor de carne de porco e do peixeiro são varridos antes que tenham tempo de assentar, mas o ar húmido captura sons e cheiros nativos: a música crepitante de estática do rádio de um vizinho, o aroma doce e generosamente condimentado do caril de carneiro de um outro. O vale sente-se enclausurado e aninhado. Uma calma benevolência segura a manhã na concha da palma da mão.

 

Podem continuar a ler os primeiros capítulos de A Noite é o Dia Todo , de  Preeta Samarasan, aqui.



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NOJOUD, HEROÍNA CONTEMPORÂNEA

 

Era uma vez uma terra mágica, de lendas tão incríveis como as suas casas em forma de broa de mel decoradas com pequenos traços brancos e muito finos que fazem lembrar linhas de açúcar cristalizado. Um país situado no extremo sul da península Arábica, em contacto com o mar Vermelho e o oceano Índico. Um país com uma história milenar, de torres de adobe alcandoradas nas cristas de montanhas escarpadas. Um país onde o cheiro a incenso paira alegremente sobre os meandros das ruas estreitas e empedradas.

Essa terra chama-se Iémen.

Há muito tempo, porém, os adultos decidiram dar-lhe uma alcunha: a Arábia Feliz – Arabia Felix.

Porque o Iémen faz sonhar. É o reino da rainha de Sabá, uma mulher incrivelmente bela e forte que incendiou o coração do rei Salomão e que é referida em dois livros sagrados, a Bíblia e o Corão. É uma terra misteriosa, onde os homens nunca saem à rua sem a sua adaga encurvada, orgulhosamente usada à cintura, e onde as mulheres escondem a sua beleza atrás de espessos véus negros. É um país que se situa na antiga rota comercial percorrida pelas caravanas dos mercadores de perfumes, de canela e de tecidos. A viagem durava semanas, por vezes meses. Sob o sol, a chuva ou o vento, nunca paravam. Conta-se que os menos resistentes nunca voltavam a casa.

Para desenhar o Iémen, é preciso imaginar um território um pouco maior do que a Grécia, o Nepal e a Síria juntos e que mergulha o nariz no golfo de Adém, em cujas águas movimentadas os piratas de longo curso espreitam as cargas que transitam entre a Índia, a

África, a América e a Europa…

 

Podem continuar a ler os primeiros capítulos de Divorciada aos 10 anos , de  Nojoud Ali, aqui.



publicado por Rita Mello às 14:02 | link do entrada | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Nada fazia prever, naquele Verão, o desgosto que em tão curto espaço de tempo iríamos sofrer.

É verdade que a Sheba estivera doente no Outono anterior. «Problemas de rins», foi o diagnóstico do veterinário depois de a examinar. E, quando nos disse, atencioso, que ela agora era um gato de idade, que os rins dela tinham aumentado bastante de tamanho mas que com o tratamento e uma alimentação adequada poderíamos, se tivéssemos sorte, tê-la connosco durante um ano mais, ficámos tolhidos de sofrimento perante a perspectiva de um futuro sem ela.

Durante treze anos, a vida na nossa casa no sudoeste rural de Inglaterra, o West Country, fora dominada por um casal de gatos siameses: a Sheba, a mais esperta, pequenina, uma Blue Point e frágil como uma flor, e o Solomon, o irmão barulhento, um Seal Point, enorme, e o nosso palhacinho trapalhão.

Cada recanto da casa guardava uma memória dos dois a fazer alguma coisa. A Sheba a jogar à apanhada connosco no telhado da carvoeira numa noite de Verão, por exemplo. Encavalitada mesmo na beira do telhado, a berrar desalmadamente que estava Aqui, não podíamos entrar sem ela ou as Raposas podiam Apanhá-La – e quando nos esticávamos para a trazer para o chão passava ligeira para outro canto dizendo Ah ah! Aquela enganou-nos, não foi? Não tinha medo de Raposas…

Ou o Solomon, de dorso escuro e aparentemente tão imóvel como uma cunha de porta, a espreitar impassivelmente pelo portão quando sabia que estávamos de olho nele. O sempre aventureiro Solomon. Nunca no mesmo espaço que nós se o pudesse evitar, e, quando tínhamos de sair e o vigiávamos como seguranças para nos certificarmos de que não fugia (limpar um prato – sair para ver como estava; arrumar uma jarra – sair de novo para ver como estava), encontrávamo-lo sentado ao portão. Muito ostensivamente

Connosco. Sem pensar de todo em sair dali. Por que diabo, inquiria o seu aparelho de visão dorsal, estávamos a vigiá-Lo Tanto? Só estava à espera, bem sabíamos, de desaparecer como um relâmpago siamês logo que desviássemos o olhar.

Algum dia, é certo, seria inevitável perdê-los. A única desfeita que os animais nos fazem é nunca viverem tanto como nós. Mas os gatos vivem mais tempo do que os cães. Tínhamos ouvido falar de siameses com vinte anos ou mais. Além disso, até à doença da Sheba, não só os nossos dois tinham passado pela vida com o entusiasmo de eternos gatinhos, como parecia ter sido há tão pouco o tempo em que eram realmente jovens.

 

Podem continuar a ler os primeiros capítulos de  O Novo Inquilino , de Doreen Tovey, aqui.



publicado por Rita Mello às 12:46 | link do entrada | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sexta-feira, 14.05.10

 

 

 

Quem é ele, este jovem que se encaminha descontraidamente para nós em Regent Street, com um cravo na lapela e uma bengala na mão? Poderíamos deduzir que vive bem pois está vestido com as roupas mais modernas, mas estaríamos enganados; poderíamos deduzir que aprecia coisas de qualidade, pois pára para admirar a montra do Liberty, o novo armazém dedicado aos últimos estilos, ou será simplesmente o seu reflexo que está a admirar, os anéis de cabelo encaracolado que lhe dão pelos ombros, em profundo contraste com os outros transeuntes? Poderíamos deduzir que está com fome, pois os seus passos ganham considerável ímpeto levando-o em direcção ao Café Royal, esse labirinto de bisbilhotice e salas de jantar, próximo de Piccadilly; e que é cliente habitual aqui, pela forma como trata o empregado de mesa pelo nome e tira um Pall Mall Gazette do escaparate, a caminho de uma mesa. Talvez pudéssemos inclusivamente concluir que é escritor, pela forma como se detém para anotar qualquer coisa no livro de notas encadernado a pele de bezerro com que anda.

Venham; vou apresentá-los. Sim, admito – conheço este jovem absurdo e, em breve, também o conhecerão. Talvez, ao fim de uma ou duas horas na sua companhia, considerem que o conhecem bem de mais. Duvido que venham a simpatizar com ele: não tem importância, eu próprio não simpatizo muito. Ele é… enfim, verão o que ele é. Mas talvez possam ver para lá disso e imaginar no que ele se tornará. Tal como o café não revela o seu verdadeiro sabor antes de ser colhido, descascado, torrado e infuso, este espécime em particular possui uma ou duas virtudes que acompanham os seus vícios, embora possa ser necessário olhar com mais atenção para as detectar… É que, apesar dos seus defeitos, mantenho uma espécie de afeição exasperada pelo sujeito.

É o ano de 1896. O seu nome é Robert Wallis. Tem vinte e dois anos de idade. Sou eu próprio, uma versão mais jovem de mim, há muitos anos.

 

Podem continuar a ler os primeiros capítulos de Os Vários Sabores da Vida , de Anthony Capella , aqui.



publicado por Rita Mello às 15:54 | link do entrada | comentar | favorito
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Sexta-feira, 07.05.10

 

 

 

A VERDADE DOS FACTOS

 

Coluna de Arun Advani, 25 de Março

 

SEIS ARMAS E UM CRIME


Nem todas as mortes são iguais. Mesmo no crime, existe um sistema de castas. A morte à facada de um miserável condutor de riquexó não passa de uma estatística, enterrada nas páginas interiores do jornal. Mas o assassínio de uma celebridade torna-se instantaneamente assunto de primeira página. Porque os ricos e famosos raramente são assassinados. Vivem vidas de cinco estrelas e, a não ser que morram de uma overdose de cocaína ou de um acidente insólito, têm normalmente uma morte de cinco estrelas numa boa idade avançada, tendo entretanto aumentado tanto a estirpe como a fortuna.

É por esta razão que o homicídio de Vivek «Vicky» Rai, de trinta e dois anos, proprietário do Grupo de Indústrias Rai e filho do ministro do Interior de Uttar Pradesh, tem dominado as notícias nos últimos dois dias.

Durante a minha longa e atribulada carreira de jornalista de investigação, realizei um grande número de denúncias, desde corrupção nas altas esferas a pesticidas em garrafas de Coca-Cola. As minhas revelações fizeram cair governos e fecharam multinacionais. Nesse processo, assisti de perto à ganância, à maldade e à depravação humanas. Mas nada me revoltou mais do que a saga de Vicky Rai. Ele era a figura de cartaz da corrupção neste país. Durante mais de uma década, acompanhei a sua vida e os seus crimes, como uma traça irresistivelmente atraída pela chama. Era um fascínio mórbido, semelhante ao de ver um filme de terror. Sabemos que vai ser revelado algo de terrível, por isso ficamos electrizados, presos à cadeira, à espera do inevitável. Recebi avisos sinistros e ameaças de morte. Fizeram-se tentativas para conseguir o meu despedimento deste jornal. Sobrevivi. Vicky Rai não.

 

Podem continuar a ler o primeiro capítulo de Seis Suspeitos, de Vikas Swarup, aqui.



publicado por Rita Mello às 11:07 | link do entrada | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Quarta-feira, 21.04.10

Como recorda o seu primeiro amor?

Responda de forma criativa (e sucinta) a esta questão e habilite-se a ganhar um dos cinco exemplares de Maridos, de Ángeles Mastretta, que a ASA tem para lhe oferecer. 

A frase terá de ser enviada até segunda-feira, dia 26 de Abril, para joanneharris@sapo.pt

Pode ler o primeiro conto de Maridos, de Ángeles Mastretta, aqui.



publicado por Rita Mello às 15:33 | link do entrada | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Segunda-feira, 19.04.10

 

 

APESAR DISSO


Dava raiva, porque se tinham amado tanto e de formas tão diversas durante os duzentos anos em que já se conheciam que era uma pena separarem-se assim, como se nada fosse.

Duzentos anos, dizia ela, porque com o tempo adquiriu a certeza de que assim fora. A sua fé no absoluto era tão estranha que ia pegando em coisas de todas as religiões que tinha à mão, e aquilo das várias vidas, das almas jovens e das almas velhas, agradou-lhe desde que o referiram como uma verdade tecida com fios de prata.

Não hesitou em agarrar-se à certeza de que se conheciam há tantos anos que não lhes era possível recordar. Ter-se-iam visto seguramente pela primeira vez, pensava, em 1754, provavelmente em Valência, e uma outra vez ou muitas durante o século XIX, a meio de uma guerra ou num baile, mas o encontro de 1967, em que se cruzaram numas escadas mesmo no centro da cidade de Puebla, marcou-os positiva e definitivamente, embora como das outras vezes estivesse tudo prestes a acabar mal.

Quem sabe porque a vida coloca armadilhas àqueles que, vistos de fora, não podem ser mais do que um casal para o resto das suas vidas, mas diz-se que isso acontece e está visto que não só eles, mas qualquer coisa no mundo se entristece quando se perdem um ao outro.

No século XX, Ana García e Juan Icaza, grandes nomes da pequena cidade, tornaram-se namorados desde o instante em que aquela escada os submeteu ao seu feitiço. Ela ia a subir e ele vinha a descer quando o ar se cruzou entre eles e o perfume atravessou as suas roupas. Ela trazia um vestido branco, estava calor. Ele tinha na mão um chapéu cordovês, fazendo com que qualquer um pensasse que ia ou vinha de uma praça de touros.

Aí e naquele tempo era ainda o homem quem iniciava a corte e ele demorou meio minuto a iniciá-la. Perguntou-lhe se era filha do seu pai e contou-lhe que fazia os fios com que o bom senhor tecia os seus panos. Disse-lhe que parecia uma pomba da paz e ela sorriu dizendo que as pombas estão sempre em guerra, que não havia campanário ou praça que desse fé de outra coisa e que nenhuma mulher vestida de branco podia ser de grande confiança.



publicado por Rita Mello às 17:33 | link do entrada | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Quarta-feira, 14.04.10

 

Em que cidade da Síria residia Najwa bin Laden, antes de casar com Osama bin Laden?


Envie a sua resposta para joanneharris@sapo.pt – e se estiver correcta e for a 1.ª, a 10.ª, a 25.ª, a 50.ª ou a 100.ª a chegar, ganha automaticamente um dos cinco exemplares de A Minha Vida com Osama bin Laden, de Najwa bin Laden, Omar bin Laden e Jean Sasson, que a ASA tem para oferecer. A data limite é domingo, dia 18 de Abril.

Pode ler o primeiro capítulo do livro aqui.



publicado por Rita Mello às 16:28 | link do entrada | comentar | favorito
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