Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

ABERTA DE TERÇA A SÁBADO, DAS 10H00 ÀS 20H00. NÃO HÁ EXCEPÇÕES!

 
O horário da WALKER & FILHA: TRICOTADEIRAS destacava-se em letras multicolores num duplo painel branco bem posicionado, no cimo do patamar das escadas, mas Georgia Walker — normalmente preocupada em fechar a caixa e apanhar as pontas de lã soltas espalhadas pelo chão — raramente se dirigia para a porta para a fechar à chave antes das 20h15… e muitas vezes mais tarde.
 
Sentava-se antes no seu banco ao balcão, desligando do ruído do tráfego na movimentada Broadway de Nova Iorque, em baixo, reflectindo sobre as vendas do dia ou preparando-se para a aula de tricô para principiantes que dava todas as tardes a donas de casa desejosas de alguma marca aparente de genuína maternidade. Fazia contas com o lápis e o papel e suspirava (o negócio prosperava, mas podia ser sempre melhor); ia puxando pelos compridos caracóis castanhos. Era um velho hábito de que nunca se tinha libertado e muitas vezes, no fim de cada dia, ficava com a franja espetada. Assim que a escrita estava em ordem, alisava o cabelo, sacudia dos jeans e da camisola macia de lã quaisquer restos de borracha, o rosto ligeiramente pálido da concentração e da falta de sol, e levantava-se do alto dos seus 1,80 m (graças aos saltos de 7,5 cm das suas bem gastas botas de cowboy em couro castanho, de que nunca se desfez, vendo-as entrar e sair de moda ao longo do tempo).
 
Caminhava lentamente pela loja, passando ao de leve as mãos pelas pilhas de lã, meticulosamente separadas por cor — desde o verde lima ao verde-claro, passando pela cor de ferrugem, vermelho morango, azul cobalto, azul Wedgwood, laranja forte, âmbar, e fila atrás de fila de cinzas, cremes, pretos e brancos. O fio variava entre o extraordinariamente felpudo e macio ao áspero e nodoso e todo ele lhe pertencia. E a Dakota também, claro. Dakota, que aos doze anos ignorava frequentemente as instruções da mãe, adorava trocar os olhos escuros e divertir-se ao ver o aspecto desfocado das cores a dissolverem-se umas nas outras, um arco-íris a fundir-se.
 
Dakota era a mascote da loja, uma das suas principais consultoras de cor («mais reflexos!») e já, francamente, uma tricotadeira de altíssima qualidade. Georgia notava a rapidez com que a filha realizava as suas obras, como estava a tornar-se exigente em relação à tensão das malhas. Já em mais do que uma ocasião, Georgia surpreendera-se ao ver a filha, que já não era assim tão pequena como isso, abordar uma cliente e dizer com confiança: — Ah, deixe que eu ajudo. Veja, pega-se neste gancho de croché e rectifica-se o erro… — A loja era um projecto em curso; Dakota era a única obra que ela sabia ter conseguido com sucesso.
 
Continue a ler O Clube de Tricô de Sexta à Noite aqui.


publicado por Rita Mello às 11:29 | link do entrada | favorito

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