Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

 

 

Lesley Pearse é uma das mais estimadas romancistas do Reino Unido, traduzida para mais de trinta línguas e com mais de sete milhões de exemplares vendidos. O estrondoso sucesso em Portugal de Nunca Me Esqueças, a que se seguiu Procuro-te e Segue o Coração, A Melodia do AmorNunca Digas Adeus e agora com Sonhos Proibidos, fez com que Lesley Pearse conquistasse rapidamente um lugar especial junto das leitoras portuguesas. Uma talentosa contadora de histórias e uma mestre em enredos que mantêm os leitores agarrados do início ao fim, Lesley Pearse apresenta-nos personagens que não conseguimos esquecer. Não há uma fórmula para os seus livros ou um género em que os possamos catalogar. Quer seja o crime em Nunca Digas Adeus, o romance histórico de aventuras como Segue o Coração ou o apaixonadamente emotivo Trust Me, baseado no escândalo verídico do envio de crianças para a Austrália no pós-guerra, ela tem a capacidade para envolver completamente o leitor.

 

A realidade ultrapassa muitas vezes a ficção e a vida de Lesley tem sido tão recheada de drama como os seus livros. Ela tinha apenas três anos quando a mãe morreu em circunstâncias trágicas. O pai estava em alto-mar e foi só quando uma vizinha viu Lesley e o irmão a brincar fora de casa sem os casacos vestidos que se começou a suspeitar o que acontecera – a mãe deles já estava morta há algum tempo. Com o pai na Marinha, Lesley e o irmão mais velho passaram três anos em orfanatos sombrios antes de o pai voltar a casar com uma terrível ex-enfermeira do Exército. Lesley e o irmão regressaram a casa, acompanhados por duas crianças que foram depois adotadas pelo pai e pela madrasta e por uma corrente constante de crianças, pois tornaram-se numa família de acolhimento. O impacto das constantes mudanças e da incerteza nos primeiros anos de vida de Lesley reflete-se num dos temas mais recorrentes dos seus livros: o que acontece a quem sofre perdas emocionais durante a infância. Ela teve uma infância fora do vulgar e, em todos os seus livros, Lesley conseguiu conciliar a dor e a infelicidade das suas primeiras experiências com um talento único para contar histórias.

 

A necessidade desesperada de amor e afeto enquanto era nova foi provavelmente a principal razão pela qual ela fazia más escolhas em relação a homens. Saltando de festa em festa nos animados anos 60, Lesley fez tudo – desde ama até coelhinha da Playboy, passando por estilista de moda. Vivia em estúdios cheios de humidade e levava uma vida errante, vestida com minissaias. Casou pela primeira vez aos vinte anos – um casamento de breve duração – e, pouco depois, conheceu o seu segundo marido, John Pritchard, um trompetista de uma banda rock. Georgia, o seu primeiro romance, foi inspirado na sua vida com John, nas discotecas londrinas, em managers vigaristas e nos muitos músicos que ela conheceu na época, entre eles, David Bowie e Steve Marriott. A primeira filha de Lesley, Lucy, nasceu nesta altura, mas, devido ao estilo de vida errático de John e à presença de uma pequena criança, o casamento estava condenado ao fracasso e eles separaram-se quando Lucy tinha quatro anos.

 

Foi um ponto de viragem na vida de Lesley – ela era jovem e estava sozinha com uma criança pequena – mas, noutra reviravolta do destino, Lesley conheceu Nigel, o seu terceiro marido, quando ia para uma entrevista em Bristol. Casaram alguns anos mais tarde e tiveram duas filhas, Sammy e Jo. Os anos seguintes foram os mais felizes da sua vida – tomava conta de um grupo de crianças, começou a escrever contos e abriu uma loja de prendas e cartões em Bristol. Escrever de noite, tomar conta de uma loja e conjugar tudo com as lides domésticas e as necessidades do marido e das filhas durante sete anos foi difícil.

 

“Uma estranha compulsão levava-me a continuar a escrever, mesmo nas piores situações”, admite Lesley Pearse. “Escrevi três livros antes de Georgia, e depois apareceu o Darley Anderson, que se ofereceu para ser meu agente. Mesmo assim, seguiram-se seis anos de desilusões e constantes reescritas de romances até finalmente encontrarmos um editor.”

 

Mas seguiram-se outra vez tempos conturbados quando a loja de Lesley faliu durante a recessão dos anos 90, deixando-a com uma montanha de dívidas e o orgulho ferido. O seu casamento de dezoito anos desmoronou-se e ela bateu no fundo aos cinquenta anos – era como se tivesse voltado ao início num apartamento deprimente e sem dinheiro.

 

“A escrita foi a minha salvação”, afirma a romancista. “Tara, o meu segundo livro, foi finalista do Romantic Novel of the Year Award e eu sabia que ia no bom caminho.”

 

A vida da escritora é uma grande fonte de material para os seus romances, quer esteja a escrever sobre a dor do primeiro amor, crianças indesejadas e maltratadas, adoção, rejeição, pobreza ou vingança, uma vez que conheceu tudo isto em primeira mão. Ela é uma lutadora, e a estabilidade e sucesso que atingiu na sua vida deve-os à escrita. As suas três filhas, os netos, os cães e a jardinagem trouxeram-lhe uma grande felicidade.


Com o apoio da editora Penguin, criou o Women of Courage Award para distinguir mulheres comuns dotadas de uma coragem extraordinária. É também presidente de uma divisão regional da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças (NSPCC) – a instituição de beneficência que lhe é mais querida.



publicado por Rita Mello às 12:11 | link do entrada | favorito

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