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CHOCOLATE PARA A ALMA – LER NÃO ENGORDA

CHOCOLATE PARA A ALMA – LER NÃO ENGORDA

02
Jun09

UM VERÃO EM SIENA – A CRÍTICA DO THE INDEPENDENT ON SUNDAY

Rita Mello

Um Verão em Siena, o mais recente romance de Esther Freud, é um regresso ao romance sobre a entrada na idade adulta, com mais uma jovem protagonista a descobrir as verdades desagradáveis sobre o mundo. Seguimos Lara, uma rapariga de dezassete anos convidada a acompanhar o pai, que mal conhece, numas férias na Toscana. Eles ficam com Caroline, uma velha amiga do pai, e Lara é de imediato apresentada aos vizinhos, o rico e incestuoso clã Willoughby, cujos membros passam o dia na piscina, a bronzearem-se e a distraírem-se com sexo e alianças em constante mutação. Esther Freud invoca na perfeição o calor indolente, as piscinas refrescantes e os longos e de fazer água na boca almoços de alcachofras, prosciutto e mozzarella. É um mundo sedutor e artificial, e o leitor consegue facilmente partilhar a mistura de atracção, inveja e repulsa que Lara sente.

À medida que ela se apaixona pelo “belo e despreocupado” filho dos Willoughby, Kip, o livro cria também uma atmosfera febril de tensão erótica. Lara, uma vegetariana, dá por si a comer bife na primeira noite que passa em Itália, e vai em pouco tempo conhecer outros prazeres da carne. Esther Freud cria maravilhosamente um sentimento de desejo ardente, em que cada roçar do braço ou qualquer outro contacto físico está carregado de significado. Quando se senta ao lado de Kip, Lara está consciente da “tensão do ombro e o calor da perna” que sente. Toda a Itália se torna sexualizada, e Esther Freud desenvolve uma tapeçaria rica em imagens. Lara vê a estátua nua de David, de Miguel Ângelo, para além de outras estátuas de nus. O caminho para a casa dos Willoughby é baptizado de “o caminho sensual” e tem nádegas e seios de pedra branca espalhados ao longo dele. O desejo sexual palpável é também intensificado pelo facto de que toda a gente está sempre à espera que apareça alguém para fazer uma visita – parece que tudo está em suspensão.

Mas as trevas também sustentam este mundo carregado de segredos desagradáveis. Caroline sofre de uma doença terminal. A mãe ausente dos Willoughby teve um colapso nervoso devido aos casos do marido e está proibida de visitar a casa italiana dele. Numa cena profundamente sórdida, um dos homens do grupo enfia-se na cama de Lara, e ela tem demasiado medo para gritar ou para se debater contra ele. Ela não diz nada a ninguém e ele não é punido, mas este acontecimento parece manchar o resto do romance, conferindo uma luz desagradável sobre os flirts e as prerrogativas dos Willoughby.

Tendo como pano de fundo o casamento real de Carlos e Diana, Um Verão em Siena é uma obra carregada de ironias, sobre o romance e as realidades sombrias que pode esconder. Esther Freud constrói cenários deslumbrantes com tectos com frescos, oliveiras e luas “perfeitamente redondas”, e põe depois Kip a declarar: “Sinto-mo como se fizesse parte de um musical foleiro.” Ao fazer isto, ela diverte-se de duas maneiras – oferecendo-nos escapismo fútil e soberbo, bem como algo mais complexo e interessante. Um Verão em Siena é um livro de Verão sedutor, mas que – tal como uma tarde passada ao sol – nos deixa inquietos.


(Artigo da autoria de Claire Pollard, publicado no The Independent on Sunday, a 24 de Junho de 2007)

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