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CHOCOLATE PARA A ALMA – LER NÃO ENGORDA

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26
Out09

AS VIDAS PRIVADAS DE REBECCA MILLER

Rita Mello

 

 

Rebecca Miller calcula que demorou mais de uma década “a sair do armário” como escritora. Filha do gigante literário Arthur Miller, indiscutivelmente o maior dramaturgo americano de sempre, a prudência dela é talvez compreensível. Como uma jovem escritora, lidar com o que chama de “peso e sombra” da reputação do pai teria, sem dúvida, sido bastante difícil.

Mas, tendo Arhtur Miller e a fotógrafa Inge Morath como pais, era por ventura inevitável que se tornasse numa artista. Depois de terminar o curso na Universidade de Yale na década de 80, ela expôs como pintora, trabalhou como actriz em Hollywood, representando no cinema e na televisão, e tornou-se realizadora, enquanto ia escrevinhando secretamente. “Estava sempre a escrever contos, e pensei que mais valia tentar com que fossem publicados e admitir que escrevia”, afirma a Rebecca Miller.

“Queria ser independente. A pintura, em particular, era algo que pertencia somente a mim. De certa forma, estou contente por ter esperado. Já experimentei muita coisa e talvez tenha tido tempo para melhorar a minha escrita.”

Muitos críticos acham que ela ficou bastante boa; o seu primeiro livro, a colectânea de contos Velocidade Pessoal, foi bem recebido. A editora Canongate afirma que tem “grandes esperanças” no primeiro romance dela, As Vidas Privadas de Pippa Lee, que sai em Abril e será um dos títulos em destaque na Primavera.

Apesar de ser uma escritora assumida e orgulhosa, Rebecca Miller continua com a sua outra paixão artística, a realização. Em 1995, realizou o seu primeiro filme, o bem recebido filme independente Angela, depois de o ter conseguido financiar através da “teimosia, sorte e pura ignorância”. Desde então já adaptou os seus dois primeiros livros para o grande ecrã e vai fazer o mesmo com As Vidas Privadas de Pippa Lee. As filmagens começam no Verão e vai contar com os pesos pesados Robin Wright Penn, Julianne Moore e Winona Ryder nos principais papéis.

Outro actor que já dirigiu foi o seu marido, o galardoado com um Oscar Daniel Day-Lewis, que conheceu em 1995, quando Day-Lewis estava a filmar a versão cinematográfica de As Bruxas de Salem, de Arthur Miller. Rebecca Miller, inteligente, aberta e afável, mostra-se um pouco mais reservada quando lhe pergunto sobre Day-Lewis, mudando sabiamente de assunto. Mas acaba por dizer que moram os dois no tranquilo e rural condado do Wiclow, na Irlanda, com os dois filhos.

Durante o processo de escrita de As Vidas Privadas de Pippa Lee, Rebecca Miller afirma que começou a ver a história numa “dupla visão”. “Quando acabei o livro, achei que tinha o suficiente para fazer um filme. Quase sempre escrevo livros que são livros e filmes que são filmes. Mas a minha curiosidade por estas personagens fez com que as quisesse explorar mais.”

As Vidas Privadas de Pippa Lee centra-se na personagem que dá nome ao título, uma mulher de cinquenta anos que se instalou numa comunidade para reformados com Herb, o seu marido muito mais velho. Aborrecida com a vida na comunidade e assustada pela decrepitude crescente do marido, ela olha para trás para a sua vida e para a sua juventude desperdiçada, as relações tensas com a mãe e os sacrifícios que fez pelos filhos.

Para Rebecca Miller, um dos temas principais do livro é a identidade como um “projecto mutável e em andamento”. “A ideia veio quando, depois de alguns anos, reencontrei uma amiga que era uma jovem rebelde na altura que a conheci. E agora ali estava ela, uma mãe respeitável e uma anfitriã graciosa. E eu não parava de pensar: ‘Como é que isso aconteceu?’”

Depois de concluir a versão cinematográfica de As Vidas Privadas de Pippa Lee, Rebecca Miller vai começar um novo livro. Ela tem pensando também nalguns projectos de filmes, mas admite que conseguir financiar os filmes exigentes que quer realizar é uma tarefa complicada. “Mas não faz mal, porque um dos aspectos maravilhosos sobre o modo como a minha vida está a correr agora é que ninguém me pode tirar a escrita. De uma forma ou de outra, vou sempre contar histórias.”

(Artigo da autoria de Tom Tivnan, publicado na The Bookseller, no dia 10 de Janeiro de 2008)

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