Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

 

 

Qual foi a inspiração por detrás de Doces Aromas?

Um dia apercebi-me de que passava mais tempo na cozinha do que na secretária a escrever. Despendia cada vez mais energia criativa a preparar pratos elaborados. Vi isso como um sinal e decidi usar os meus talentos culinários no meu novo romance.

Adoro cozinhar, e fazer compras é um processo bastante importante na culinária. Há uma espécie de reverência ligada ao próprio acto de escolher as frutas e os vegetais. Fico num estado muito próximo daquele em que fico quando estou à procura de uma palavra, do equilíbrio perfeito para uma frase.

 

Como conduziu a sua pesquisa?

Não quis fazer nenhuma pesquisa porque quis ser tão ingénua e indefesa como a minha personagem. Precisava de ver os problemas a aparecer ao lado dela, sem saber melhor do que ela qual a solução para eles. Mas posso acrescentar que já cozinhei para sessenta pessoas por dia, almoço e jantar.

 

Qual foi a coisa mais importante que aprendeu ao escrever este livro?

Descobri que não sermos capazes de amar o nosso próprio bebé era um assunto ainda mais tabu do que fazer sexo com um adolescente… mas isso aconteceu quando o livro foi publicado e posso afirmar que foi uma grande surpresa para mim. Tirando esse “assunto da recepção”, não acho que tenha alguma vez aprendido com a escrita. Quanto menos souber, melhor. O objectivo é ter dúvidas, perder, não aprender nada. Começo do zero com cada novo livro.

 

O facto de ser judia sefardita num país com uma longa tradição de anti-semitismo às claras e às escondidas e que tem também uma grande minoria árabe influenciou a sua escrita?

Na verdade sou meio sefardita e meio asquenaze. Cresci num país onde o sentimento de culpa ligado ao Holocausto impedia as pessoas de demonstrarem muito abertamente o seu anti-semitismo. Mas tudo mudou quando tinha vinte e tal anos: este sentimento de culpa foi substituído por um novo, ligado à descolonização e às atrocidades perpetradas pelo exército francês na Argélia. De repente as pessoas sentiram-se livres para dizer coisas como “porca judia” e tinha-se de fingir que não havia nenhum problema com os árabes. É tudo uma questão de sentimentos reprimidos.

A minha avó falava árabe, tal como o meu pai. Sempre senti que éramos uma espécie de árabes.

O facto de pertencer a uma minoria dever ter influenciado de alguma forma a minha escrita, de um modo que não sei dizer.

 

Como é que o facto de morar em Paris afectou a sua escrita?

Não sei bem se o facto de se morar num determinado sítio influencia a forma como uma pessoa escreve. Como escritora não moro em Paris, mas dentro dos meus livros. Mas neste romance, em particular, posso ter sido afectada ao imaginar o restaurante de Myriam pelos novos restaurantes que abriram recentemente na minha zona (entre o terceiro e o décimo primeiro bairro).

 

Como é que Paris afectou a sua vida?

Passo bastante tempo no campo, onde dou longas caminhadas. Isso ajuda a concentrar-me no meu trabalho. Como não gosto de passear em Paris (demasiado barulho, a qualidade do ar é péssima, não tenho terra macia debaixo dos pés), passo muito tempo em casa e cozinho, porque gosto de manter o meu corpo (ou apenas as minhas mãos) ocupado enquanto trabalho nos enredos.

Nunca me vi a mim mesma como parisiense. Nunca me senti tão perto de casa como em Moscovo. De um modo geral, acho que não pertenço a nenhum lado.

 

(Excerto de uma entrevista concedida ao site Paris Through Expatriate Eyes e disponível em www.paris-expat.com/interviews/5-08chez.htm)



publicado por Rita Mello às 16:44 | link do entrada | comentar | favorito

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