Quinta-feira, 05.02.09


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Quarta-feira, 04.02.09


Por que está Ram, um pobre empregado de mesa de Bombaim, na prisão?


a) Esmurrou um cliente
b) Bebeu demasiado whisky
c) Roubou dinheiro da caixa
d) É o vencedor do maior prémio de sempre de um concurso televisivo

A resposta certa é a alínea d).

Ram foi preso por responder correctamente às doze perguntas do concurso televisivo Quem Quer Ser Bilionário?.

Porque um pobre órfão que nunca leu um jornal ou foi à escola não pode saber qual é o mais pequeno planeta do sistema solar ou o título das peças de Shakespeare. A não ser que tenha feito batota.

Mas a verdade é que foi a própria vida a fornecer-lhe as respostas certas às dozes perguntas cruciais. Desde o dia em que foi descoberto num caixote do lixo que Ram revela instintos de sobrevivência infalíveis e aparatosamente criativos. Espantando uma audiência de milhões, serve-se dos seus conhecimentos de rua para arranjar respostas não só para o concurso televisivo mas também para a própria vida.

Na história do jovem Ram concentra-se toda a comédia, a tragédia, a alegria e a amargura da Índia moderna.


publicado por Rita Mello às 14:47 | link do entrada | comentar | ver comentários (2) | favorito

Fui preso. Por ter ganho um concurso de perguntas e respostas. Vieram buscar-me ontem à noite, já tarde, quando até os cães vadios tinham ido dormir. Arrombaram-me a porta, algemaram-me e arrastaram-me até ao jipe que me esperava com uma luz vermelha a acender e a apagar.

 
Não houve rebuliço nem alarido. Não houve um único residente que se desse ao incómodo de abandonar a barraca onde dormia. Apenas o velho mocho pousado na árvore de tamarindo piou quando fui preso.
 
Em Dharavi, as detenções são tão vulgares como os carteiristas nos comboios locais. Não se passa um único dia sem que um desgraçado seja levado até à esquadra da polícia. Alguns têm de ser levados de rastos pelos guardas, aos gritos e aos pontapés. Também há os que vão calmamente. Os que sabem e, se calhar, até estão à espera da chegada da polícia. Para esses, a chegada do jipe com o farol vermelho intermitente chega a ser um alívio.
 
Em retrospectiva, talvez devesse ter berrado e esperneado. Talvez devesse ter protestado a minha inocência, feito um tremendo alarido, galvanizado a vizinhança. Não que servisse de muito. Mesmo que tivesse conseguido acordar alguns moradores, eles não mexeriam um dedo para me defender. Teriam observado o espectáculo com os olhos ramelosos e feito um comentário trivial como «Lá vai mais um», depois bocejavam e voltavam a adormecer rapidamente. A minha partida do maior bairro de lata de toda a Ásia não ia alterar em nada as suas vidas. De manhã, a bicha para a água seria igual, como seria igual o frenesim diário para apanhar a tempo o comboio das sete e meia.
 
Nem sequer se preocupariam em saber qual o motivo da minha detenção. Agora que penso nisso, quando os dois polícias me entraram pela barraca dentro, nem sequer eu o fiz. Quando toda a existência de um tipo é «ilegal», quando se vive no limiar da penúria num baldio urbano onde se disputa cada palmo de espaço e se tem de fazer bicha mesmo para cagar, a prisão contém em si uma certa inevitabilidade. Um tipo fica condicionado a acreditar que um dia vai haver um mandado de captura com o seu nome lá escarrapachado e que acabará por vir um jipe com um farol vermelho intermitente para o levar.
 
Vai haver quem diga que eu estava a pedi-las. Por ter metido o nariz naquele concurso de perguntas e respostas. Vão apontar-me um dedo acusador e lembrar-me o que os mais velhos de Dharavi costumam dizer acerca de nunca se transpor a linha divisória que separa os ricos dos pobres. Ao fim e ao cabo, porque é que um criado sem cheta havia de ir participar num concurso cultural? O cérebro não é um órgão que estejamos autorizados a usar. O que esperam de nós é que usemos unicamente as mãos e as pernas.
 
Continue a ler Quem Quer Ser Bilionário? aqui.


publicado por Rita Mello às 14:46 | link do entrada | comentar | favorito

“Uma história brilhante – colossal, vibrante e caótica como a própria Índia… Imperdível.”

The Observer
 
“A divertida e comovente odisseia de Ram explora as causas do Bem e do Mal e ilustra como, com alguma sorte, os melhores conseguem por vezes vencer.”
Booklist
 
“Uma história fantástica.”
The Times
 
“Esplêndido!”
Newsweek
 
“Uma estreia imaginativa.”
Publishers Weekly
 
“Uma mistura de realismo, Bollywood e crítica da sociedade e dos media, num romance bem-sucedido sobre um rapaz extremamente sortudo.”
Berlingske Tidende
 
“Encantador.”
Newsweek
 
“Um surpreendente novo talento.”
The Times of India
 
“Excitante.”
The Sunday Express
 
Quem Quer Ser Bilionário? é encantador, angustiante e divertido. Uma história fascinante.”
The Sunday Tribune
 
“Vikas Swarup é um escritor talentoso.”
Daily Mail
 
“Um romance divertido e bem-sucedido.”
Politikens
 
“Uma estreia divertida.”
Christian Science Monitor
 
“Uma mistura extremamente bem-sucedida de sátira e intriga.”
Independent
 
“Os elementos universais da existência humana – amor, ganância, amizade, dor, vingança, intolerância – estão presentes nesta história inteligente e extremamente comovente que mistura tragédia e comédia.”
USA Today


publicado por Rita Mello às 14:46 | link do entrada | comentar | favorito

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