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Henna tinha treze anos quando foi jovialmente casada com o filho mais velho de uma das melhores famílias de Calcutá, e o seu casamento foi conseguido através de uma audaciosa teia de mentiras, tão elaboradas e impudentes quanto os adornos dourados do seu sari escarlate de noiva. Os familiares paternos de Henna eram vigaristas de profissão, comerciantes de Bengala que haviam construído a sua fortuna a vender secretamente pós e pastas de origem suspeita, para aliviar o enfado e fadiga dos expatriados britânicos que cumpriam o seu purgatório no governo local de uma Índia pré-independência. Esses dias gloriosos tinham desaparecido com os ingleses uma década antes, mas o pai de Henna continuava a ser uma daquelas pessoas que não perdia uma oportunidade de negócio – quando soube que a família Karim, uma família abastada, proprietária de terras, e de pele invulgarmente clara, ia estar de visita às suas herdades nos arredores de Daca, não perdeu tempo em efectuar um reconhecimento eficaz.
O seu modesto plano inicial havia sido fomentar uma aliança comercial, mas tornou-se mais ambicioso quando descobriu que podia deitar a mão a uma aliança mais lucrativa e permanente. Tomou conhecimento de que o filho deles, Rashid, que preferia ser chamado Ricky, estava em idade de casar, mas tinha uns gostos tão bizarros que a família, frustrada, ainda não conseguira encontrar-lhe uma noiva. Fora educado no estrangeiro e insistia que a sua esposa deveria ser alguém que ele pudesse «amar», uma rapariga educada e culta com os mesmos interesses que ele.
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